Daltr

6 pedras nos meus rins e mais alguma coisa
Jan 07
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Jorge, um argentino

Jorge é um argentino que acabou de ler “Jorge, um Brasileiro” , aquele livro para se ler numa talgada só do Oswaldo França Júnior. Ele não entendeu bem, não o livro em si, mas porque alguém acorda todo e faz a mesma coisa sem nenhum objetivo claro. Porque pegar um caminhão e levar uma carga para um lugar inóspito onde as estradas querem te matar. Jorge, o argentino, não entende Jorge, o brasileiro.


Os tangos são tão bonitos porque são sobre a vida dos outros. Alguém já disse que o tango nada mais é que um pensamento triste que se pode dançar. Mas o que Jorge não entende é porque tem quem queira viver este pensamento triste.


Pensando nisso e sem quem tivesse lido o livro para contrapor suas idéias, Jorge pediu ao seu filho que o lesse também. Jorgito, do alto de seus 16 anos, boa parte deles vividos sob um governo Kirschner, disse após uma leitura desinteressada, que as pessoas vivem esse pensamento imposto porque lhes é imposto. Quando Jorge peguntou ao Jorgito quem é este impositor, ouviu do filho que é todo mundo e ninguém, um pai que obriga o filho a ler um livro depois do almoço para especular sobre isso, um chefe que erra a quantidade de dias de férias que seus funcionários tem direito, um padre pedófilo, qualquer um pode ser o carcereiro e o prisioneiro dessa idéia triste.


Jorge não ouviu o final do que o filho disse, voltou a não entender o Jorge, um brasileiro e só conseguiu chegar a uma conclusão. Nunca mais pegaria um livro para ler só porque gostou do nome.

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